18.1.10
[ São Paulo; novembro/09 ]
[ Pompéia e o SESC ] Lina Bo Bardi
O projeto do SESC Pompéia foi em grande parte definido no próprio canteiro. A minuciosidade com a qual cada de detalhe foi pensado e o domínio da arquiteta sobre todos os espaços do complexo podem ser percebidos a cada passo, seja na própria estrutura do edifício ou até mesmo no mobiliário que foi nele inserido.
Aquelas mesmas ruas eram, no passado, espontâneamente utilizadas para o lazer da população da região.
"Na segunda vez que lá estive, um sábado, o ambiente era outro: não mais a elegante e solitária estrutura Hennebiqueana mas um público alegre de crianças, mães, pais, anciãos passava de um pavilhão a outro. Crianças corriam, jovens jogavam futebol debaixo da chuva que caía dos telhados rachados, rindo com os chutes da bola na água. As mães preparavam o churrasquinhos e sanduíches na entrada da rua Clélia: um teatrinho de bonecos funcionava perto da mesma, cheio de crianças. Pensei: isto tudo deve continuar assim, com toda esta alegria." BARDI, Lina Bo. Instituto Lina Bo e P.M. Bardi. 1993.
Ao entrar no primeiro galpão à direita, deparei-me com um ambiente totalmente diferente daquele que havia imaginado ao observar o edifício pelo lado de fora. O espaço dos galpões havia sido reinventado: nos grandes vãos livres foram implantados elementos em concreto que servem como catalizadores das atividades propostas, permeados por espaços de utilização livre, transformando a antiga fábrica em um projeto moderno sem permitir que o histórico industrial fosse perdido.
A partir das estruturas de concreto e tijolos aparentes, toda a essência do edifício é revelada aos olhos de quem o observa. As estruturas metálicas da cobertura e os coloridos canos aparentes que sobem e descem pelas paredes inserem no ambiente de aspecto brutalista uma certa vitalidade. Mantendo-se os altos pés direitos, em alguns momentos os antigos telhados foram substituídos por elementos translúcidos, que permitem que a luz do dia ilumine o espaço.
Nos outros galpões, fui aos poucos descobrindo a diversidade do programa cultural que o complexo oferece. Cada espaço tem suas características próprias, compreendendo um grande número de atividades. O que torna esses espaços únicos é a forma com a qual são abordadas as atividades, dissolvendo tradicionalismos e abrindo espaço para uma diferente maneira de fazer cultura, que incorpora aos ambientes um caráter popular aceitando apropriações e proposições do público que o utiliza.
Ainda descendo pela rua interna, passando pelos inúmeros galpões que abrigam a programação cultural do SESC, chegamos a um grande deck de madeira que, como uma continuação da rua, se caracteriza como palco para as manifestações populares que a arquiteta captou e se recusou a desapropriar. Esse deck nos leva à parte posteriormente construída do conjunto, logo à esquerda: duas grandes torres de concreto ligadas por rampas que vencem enormes vãos, causando a imediata sensação monumental que estava faltando até então.
[ FAU ] Vilanova Artigas
O prédio é, sem duvida nenhuma, o lugar mais legal da USP. Por fora, um bloco retangular de concreto aparente, como uma imensa caixa cinzenta de concreto e vidro. Por dentro, uma arquitetura que modifica todo o entendimento tradicional de prédio escolar, trazendo linhas inovadoras e ambientes que quebram completamente com aquela divisão arcaica que as escolas, ainda hoje, tentam implantar.
É realmente uma pena.
[ A casinha do Artigas ] Vilanova Artigas
Em primeiro lugar, a casa é posicionada a 45º no terreno, quebrando a hierarquia entre as fachadas. Lá dentro, a planta flexível é implantada ao longo de ambientes pela primeira vez integrados. A hierarquia entre os espaços internos e a corrente separação entre áreas nobres e não nobres é completamente esquecida por Artigas: a cozinha se comunica com a sala e o quarto não é separado do restante da casa por paredes; os ambientes são estipulados por diferenças de nível em uma casa onde as divisões internas são praticamente inexistentes.
15.1.10
[ Casa Modernista ] Gregori Warchavchik
A casa, destituída de qualquer ornamentação e formada por volumes prismáticos brancos, foi projetada para ser a residência do arquiteto. A nova orientação estética proposta era bastante impactante para a época.
Inspirado nas paisagens brasileiras, criou uma arquitetura que se adaptou à região, ao clima e às tradições do país. O uso das telhas coloniais ao lado das linhas retas – principais elementos da arquitetura moderna – e a composição da arquitetura com o jardim de flora nativa de caráter tropical, projetado por sua esposa, deram à residência um aspecto muito brasileiro.
[ Centro Cultural SP ] Luiz Benedito Telles e Eurico Prado Lopes

Em seu interior, os diversos pavimentos são ligados por rampas, formando ambientes inteiramente conectados física e visualmente. Apesar de existirem divisões de setores de atividades, não há separação física do espaço, o que contribui para que as pessoas se comuniquem e informações entre as divisões possam ser trocadas.
Os espaços para exposição, teatro, filmes, etc, são permeados por espaços destinados simplesmente para o 'estar', que caracterizam um cenário próximo ao de uma praça. As largas rampas deixam de ser apenas acessos, se comportanto como uma continuidade dos pavimentos. Aço, concreto e vidro se misturam com vegetações internas, em um desenho hora complexo - formado pela alternância dos pavimentos ligados por uma teia de rampas - hora simplório, com as horizontais praças internas. O espaço externo do edifício se encontra no grande terraço jardim, que possui uma bela vista para a cidade.

